Intervozes – Levante sua voz

•Novembro 14, 2009 • Deixe um comentário

Vídeo sobre direito à comunicação produzido pelo Intervozes Coletivo Brasil de Comunicação Social com o apoio da Fundação Friedrich Ebert Stiftung. O vídeo retrata a concentração dos meios de comunicação no Brasil.

Roteiro, direção e edição: Pedro Ekman
Produção executiva e produção de elenco: Daniele Ricieri
Direção de Fotografia e câmera: Thomas Miguez
Direção de Arte: Anna Luiza Marques
Produção de Locação: Diogo Moyses
Produção de Arte: Bia Barbosa
Pesquisa de imagens: Miriam Duenhas
Pesquisa de vídeos: Natália Rodrigues
Animações: Pedro Ekman
Voz: José Rubens Chachá

CC – Alguns direitos reservados
Você pode copiar, distribuir, exibir e executar a obra livremente com finalidades não comerciais.
Você pode alterar, transformar ou criar outra obra com base nesta.
Você deve dar crédito ao autor original.

Agradecimento pela dica a Ilo Aguiar / @iloaguiar (Twitter) / iloaguiar’s posterous (http://iloaguiar.posterous.com)

Aquecimento global: a proposta brasileira para conferência de Copenhague

•Novembro 14, 2009 • Deixe um comentário

Numa sexta-feira 13 não poderia haver melhor notícia. Saiu a proposta do Brasil que será apresentada dia 7 de dezembro em Copenhague, na conferência sobre mudanças climáticas. O anúncio foi feito em São Paulo pela ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.

Logo aí uma habilidosa jogada política. Escolher o Estado governado por seu mais sério e eventual futuro opositor, José Serra (PSDB), como palco para o anúncio antecipado da proposta brasileira que será apresentada em Copenhague é uma definição de espaço político para a pré-candidata à presidência da República. Entrevistada após o anúncio e perguntada sobre a participação de São Paulo no esforço do controle e melhoria do meio ambiente, Dilma Rousseff disse que a proposta do governo paulista era boa, mas São Paulo era um Estado e ela estava ali representando o Brasil. Como disse o repórter da rádio CBN, “criou um clima”.

Mas o anúncio da proposta do Brasil para o controle e defesa do meio ambiente foi antecipado também porque Marina Silva (PV) deve concorrer na eleição de 2010. O governo federal sai na frente para garantir a primazia no discurso ecologicamente correto.

Nos bastidores ficou o responsável pela verdadeira articulação e avanço dessa proposta: o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc. Se dependesse da ministra Dilma Rousseff e do ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Machado Rezende, a proposta seria mais conservadora. Agora todos comemoram.

O compromisso brasileiro é de diminuir até 2020 entre 36.1% e 38,9% a emissão de gases que provocam o aquecimento do planeta. Para realizar esse objetivo será necessário reduzir em 80% o desmatamento na Amazônia e conter 40% da destruição do bioma cerrado. Na prática isso condicionará o setor agropecuário a recuperar pastos e integrar áreas de pecuária e lavoura. No setor energético será estimulado o aumento da utilização de biocombustíveis e também maiores investimentos em hidrelétricas e fontes limpas de energia. As siderúrgicas devem passar a usar carvão produzido com madeira de áreas reflorestadas.

O governo ainda não definiu de onde vão sair os recursos para esses programas, mas quer a participação da população em reciclagem e consumo consciente. O presidente Luis Inácio Lula da Silva viajou ontem para a França onde apresentará a proposta brasileira ao presidente Nicolas Sarkozi, buscando apoio para a conferência de Copenhague.

DEMANDA DE PETRÓLEO ATÉ 2030

Ontem também The Economist publicou um gráfico com projeções da Agência Internacional de Energia para  o consumo de petróleo até 2030. A demanda global deverá passar de 84,7 milhões de barris/dia em 2008 para 105 milhões de barris/dia em 2030. Meios de transporte vão responder por 97% desse crescimento devido ao aumento das frotas de veículos nos países em desenvolvimento. Em 2030, os Estados Unidos, Japão e Europa deverão estar consumindo menos petróleo que em 1980, enquanto o consumo deve ter um aumento considerável na Asia – em particular na India e China – com a demanda devendo crescer cerca de 400% em comparação com 2008.

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Elis Marsalis Trio: What Is This Thing Called Love

•Novembro 14, 2009 • Deixe um comentário

Elis Marsalis (piano), pai de Branford e Wynton, mostrando porque a música está no DNA da família. A peça é o standard cult de Cole Porter, “What’s This Thing Called Love”. Formando o trio perfeito, Jesper Lungaard (contrabaixo) e Clarence Penn (bateria).

O futuro dos arquivos digitais no século de petabytes de informação

•Novembro 11, 2009 • 1 Comentário

O apagão da noite de terça-feira, 10/11, que atingiu 10 estados e deixou 800 cidades no escuro, me fez recordar Jane Jacobs, crítica do planejamento urbano, falecida em 2006 aos 89 anos. Em seu último livro (Dark Age Ahead, Random House 2004) ela disse que a internet dava um falso senso de segurança sobre a permanência da cultura. Jacobs acreditava que os milhões de detalhes de uma cultura viva e complexa não são transmitidos pela escrita ou qualquer outra representação gráfica, mas sim pela transmissão oral e pelo exemplo dos mestres de ofícios.

E o escritor italiano Umberto Eco sempre torceu o nariz para o armazenamento (storage) de informação em meios eletrônicos, mídias digitais, suportes como CD-ROM ou DVDs. Ele disse: “O formato do disquete de computador já desapareceu. Não durou 30 anos. Se tenho de deixar uma mensagem à posteridade, o farei em forma de livro e não em suporte eletrônico”.

A regra preconizada por Jane Jacobs é cada vez menos praticada e no cenário da comunicação digital do século 21 os sistemas de informação fornecem exatamente essa ilusão de segurança e onisciência. Pouco mais de duas horas de apagão serviram como demonstração de nossa fragilidade: celulares sem conexão, estações rádio base colapsando, degradação de ping para vários endereços na rede, até mesmo o Twitter começando a dar sinais de esgotamento à medida que baterias de celulares e notebooks iam descarregando. Sem nobreaks, sem becapes automáticos (nessas horas quem usa Mac e TimeMachine respira aliviado) muita gente que estava trabalhando em seus computadores deve ter perdido dados preciosos.

O cenário da noite de ontem serve para introduzir o tema do armazenamento e preservação da informação em midias ópticas. Numa época em que arquivos digitais são gradativamente guardados na nuvem virtual do Google, ZoHo, DropBox, File Dropper e outros ou então em HDs domésticos com grandes capacidades de estocagem, a TDK recentemente divulgou uma impressionante conquista técnica: um disco óptico de 10 camadas com capacidade para estocar 320 GB de informação utilizando a tecnologia Blu-ray. Para se ter uma idéia do que isso representa, os atuais discos Blu-ray tem uma capacidade de estocagem de 25 gigabytes por camada.

É interessante, mas chega atrasado porque o arquivamento óptico está com os dias contados. Veja as razões:

Capacidade: as melhores respostas competitivas das mídias ópticas aconteceram com o CD-ROM, no início dos anos 90, e com o DVD no começo da década de 2000. Mas o disco Blu-ray de multi camadas nunca deixará de ser apenas uma fração da capacidade de armazenagem dos discos rígidos atuais.

Desempenho: a taxa de transferência de dados do Blu-ray (24X) é a metade da oferecida pelos HDs atuais. E a medida que o espaço de arquivo aumenta os discos rígidos também estão ficando cada vez mais rápidos. Já o Blu-ray deve estacionar no limite máximo de 48X.

Densidade: trabalhar com uma única espécie de mídia é melhor e mais simples que lidar com 6 ou 10 tipos diferentes. A elevada densidade dos discos rígidos atuais os torna mais convenientes.

Custo: além de não terem sido popularizados nos PCs os gravadores de Blu-ray são muito caros bem como a mídia. Enquanto isso, um HD Firewire ou USB custa em média 100 dólares no mercado internacional, e oferece tempo de acesso muito mais rápido, mais capacidade de estocagem e transferência de dados. Se existisse demanda os preços de harware e mídia Blu-ray poderiam cair, mas quem garante que essa demanda acontecerá?

A história evolutiva da informática demonstra que a medida que as atualizações tecnológicas acontecem os meios eletrônicos de cópia e armazenagem de dados são sucateados. Por isso Umberto Eco ridicularizou a breve duração dos disquetes.

Para que dados arquivados eletrônicamente continuem podendo ser consultados, editados e reproduzidos, 20 anos é um prazo padrão para a mudança dos sistemas de armazenamento de informação. A migração digital consome tempo e muito dinheiro. Para se ter uma idéia, armazenar  e manter íntegra uma cópia master digital em alta resolução de um filme, custa cerca de 12,500 dólares por ano. Arquivar uma cópia comum do filme custa 1.000 dólares anuais.

O Centro de Conservação Audio Visual da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, gasta milhões de dólares por ano arquivando músicas, noticiários de rádio e televisão e todos os livros publicados sobre a história norte-americana. É um volume extraordinário de informação. Até 2012 a instituição que este ano armazenará cerca de 4 petabytes estará arquivando 20 petabytes anualmente. Um petabyte equivale a um milhão de gigabytes e representa algo como 330.000 horas de programação de TV.

A maior parte dos consumidores domésticos ainda vai utilizar por alguns anos os DVDs e um percentual menor garantirá uma sobrevida aos CDs, mas a mudança de foco e lógica na armazenagem de informação está mudando rapidamente para arquivos online (a “nuvem” oferecida pelo Google, ZoHo, DropBox, File Dropper e muitos outros serviços) e para HDs externos domésticos. A indústria ainda não cedeu ao fascínio da cloud computing & storage, mas soluções seguras já estão surgindo para atender esse mercado.

Mais e mais pessoas vão baixar conteúdo informativo e de diversão diretamente da internet, eventualmente estocando o material em suas bibliotecas digitais. Se por acaso o HD pifar, a casa for inundada ou pegar fogo, os fornecedores na internet estarão disponíveis para novos downloads. Pouca gente vai se dar ao trabalho de continuar gravando e guardando montanhas de CDs e DVDs. Os pendrives atuais com capacidade para 16, 32 ou mais gigabytes indicam a tendência e os futuros (próximos 5 anos) chips Terabit 3D possibilitarão o transporte de imensas quantidades de informação como uma atividade banal. Esse é um mercado que crescerá sem limites.

O que nos traz de volta a Jane Jacobs e Umberto Eco. É claro que o aprendizado de modos e fazeres vai continuar acontecendo no universo digital. As inúmeras comunidades, as guildas informatizadas atuais, darão conta dessa tarefa. Mas se os meios eletrônicos pifarem, devido a catástrofe natural ou desastre causado pelo homem, no evento de uma nova “idade das trevas” é evidente que o saber-como-fazer uma infinidade de coisas vai depender das frágeis memórias dos sobreviventes e sobretudo das informações acumuladas nos livros e guardadas nas bibliotecas. Nesse sentido a tese de Umberto Eco continua parcialmente válida e o papel, dependendo das circunstâncias, pode preservar melhor as informações e possibilitar a construção de uma nova cultura. Mas imaginem transportar uma biblioteca tradicional para uma colônia no espaço…

Pensando nisso o professor Tadahiro Kuroda da Universidade Keio, no Japão, criou a “Pedra da Roseta Digital”, um chip de memória wireless encapsulado em silicone. Kuroda garante que o artefato pode guardar dados por um milênio.

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O chip de memória criado pelo professor Kuroda é formado por quatro finas camadas, cada qual contendo 1.100 nano chips. A “pedra da Roseta digital” tem capacidade para arquivar com segurança durante 1000 anos dados que hoje ocupariam 480 CDs. Se fossem comercializados hoje cada super chip custaria cerca de 625 dólares.

Na Universidade da California nasceu uma idéia mais ousada. O professor Alex Zettl desenvolveu um método que segundo ele garantirá à humanidade o arquivamento seguro de informações por um bilhão de anos. Zettl propõe chips de memória baseados em nano tubos e partículas de ferro. Mais radical que a proposta de Tadahiro Kuroda, o experimento de Zettl se conseguir ser viabilizado industrialmente, pode tornar a decadência digital de dados coisa do passado.

Como testar o futuro de sua mídia digital

Leia mais sobre a Pedra da Roseta Digital e sobre o projeto da Universidade da California, aqui e aqui.

Veja as 10 mais destacadas tendências de TI para 2010, segundo a consultoria Gartner.

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•Novembro 8, 2009 • Deixe um comentário

Filme de animação realizado pelo designer gráfico Olivier Beaudoin, com inspiração ambientalista e utilização de elementos de tipografia. A trilha sonora é “Nostrand”, música do grupo Ratatat. Premiado com o “Diplôme d’Or” na  Écodesign 2007 de São Petersburgo.

Desmatamento, anistia e a proposta brasileira em Copenhague

•Novembro 5, 2009 • 1 Comentário

Saiu o relatório de setembro do Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia – IMAZON sobre os números do desmatamento na Amazônia. Houve uma redução na devastação mas o resultado ainda é negativo. Como se desmata nesse país! E não apenas na Amazônia, mas também no cerrado, o 2º mais importante bioma do Brasil, a imensa savana que abriga uma das maiores biodiversidades do mundo.

Espalhado em 12 estados brasileiros e ocupando cerca de 24% do território nacional, com 200 milhões de hectares, apenas 7% por cento da área do cerrado está protegida em Unidades de Conservação. As consequências do descaso são assustadoras: 48% da área total está sendo devastada.

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O mais recente episódio de destruição do cerrado está em curso no setor noroeste do Distrito Federal. Ali está sendo construído o que as empreiteiras chamam de “primeiro bairrro ecológico sustentável do país”. Na realidade a área escolhida para o empreendimento invade terras do Santuário dos Pajés, local de ecumenismo tribal na tradição dos povos indígenas, e que até hoje não foram demarcadas. Depois do “bairro ecológico” implantado ficará quase impossível essa demarcação. Veja a denúncia feita pelo Centro de Mídia Independente.

ESTATÍSTICAS DO DESMATAMENTO

Na Amazônia Legal, em setembro de 2009 o Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) registrou 216 quilômetros quadrados de desmatamento. Isso representa uma queda de 33% em relação a setembro de 2008 quando o desmatamento somou 321 quilômetros quadrados. Houve queda também em relação a agosto de 2009, quando o SAD registrou 273 quilômetros quadrados de áreas desmatadas.

Mas analisando os dados de desmatamento acumulado de agosto a setembro de 2009 (dois primeiros meses do calendário atual de desmatamento), verifica-se que a devastação totalizou 489 quilômetros quadrados. Isso representa um aumento de 16% em relação ao desmatamento ocorrido no mesmo período do ano anterior, o qual somou 423 quilômetros quadrados.

GEOGRAFIA DO DESMATAMENTO

Em setembro de 2009, o desmatamento ocorreu em maior proporção nos Estados do Pará (29%), Rondônia (23%) e Amazonas (22%) e, menor proporção, em Mato Grosso (14%) Acre (8%), Roraima (3%) e Amapá (1%). Considerando agosto e setembro de 2009, a degradação florestal somou 202 quilômetros quadrados na Amazônia Legal, o que equivale a uma média mensal de 101 quilômetros. Do total de florestas degradadas no período, 42% ocorreram em Mato Grosso, 26% no Pará, 14% em Rondônia, 9% no Acre e 7% no Amazonas. Os outros estados contribuíram somente com 2% do total.

Em setembro de 2009, segundo o IMAZON, foi possível monitorar com o SAD a quase totalidade (96%) da Amazônia Legal (exceto Maranhão que não foi objeto de análise), pois somente 4% do território estavam cobertos por nuvens.

O desmatamento ocorreu principalmente nos municípios da área de influencia da construção das hidrelétricas do Jirau e Santo Antonio no rio Madeira (na confluência dos Estados de Rondônia, Acre e Amazonas), parte central do rio Amazonas (principalmente no município de Manacupuru – Amazonas), na calha norte do Pará, na rodovia Transmazônica (BR-230) entre as cidades de Altamira e Uruará (Figura 2). Houve redução na intensidade do desmatamento ao longo da BR-163 (Oeste do Pará) – região que nos últimos meses havia sido o principal foco de desmatamento na Amazônia.

Em termos de situação fundiária, a maior parte  (72%)do desmatamento ocorreu em áreasprivadas ou em diversos estágios de posse. O restante do desmatamento foi registrado em Assentamentos de Reforma Agrária (18%), Unidades de Conservação (7%) e apenas 3% em Terras Indígenas.

UNIDADES DE CONSERVAÇÃO VIOLADAS

O fato mais grave destacado no relatório do IMAZON foi um extenso desmatamento de 15 quilômetros quadrados nas Unidades de Conservação. As áreas mais afetadas foram a Florex Rio Preto/Jacundá (Rondônia) com 5,2 quilômetros quadrados desmatados, APA Triunfo do Xingu (Pará) com 2 quilômetros quadrados desmatados e a APA da margem direita do Rio Negro (Amazonas) com 1,3 quilômetro de área desmatada. Se nem as unidades de conservação são respeitadas dá para perceber o tamanho do desafio da contenção do desmatamento na Amazônia.

A boa notícia é que houve uma redução expressiva no desmatamento na Flona Jamanxim (0,6 quilômetro em setembro de 2009) se comparado a media mensal dos últimos 12 meses (7,4 quilômetros quadrados) e um desmatamento total que atingiu 66,6 quilômetros quadrados.

O BRASIL NA CONFERÊNCIA DO CLIMA EM COPENHAGUE

Enquanto isso, o Brasil prepara-se para apresentar na conferência internacional do clima, em Copenhague, no dia 7 de dezembro, sua proposta de ações para reduzir o aquecimento global. O presidente Luis Inácio Lula da Silva, em visita a Londres essa semana afirmou que “o Brasil não vai a Copenhague para impor suas condições. O Brasil vai apresentar suas metas com a disposição de construir um consenso com os outros países”.

Não poderia ser diferente. O país não tem muitos resultados positivos para apresentar, como provam os últimos relatórios de desmatamento, confirmando um tímido avanço no esforço de preservação da floresta amazônica. Para piorar nossa situação a Câmara Federal deve votar um polêmico substitutivo do deputado ruralista Marcos Montes (DEM-MG) para o Projeto de Lei 6424/05, do senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA). O projeto, apelidado pelos deputados da bancada ambientalista de “Floresta Zero”, isenta de multas os proprietários de 35 milhões de hectares desmatados ilegalmente. A área equivale a 18 estados de Sergipe.

Desse jeito dá para pensar que o Brasil chegará em dezembro a Copenhague sem muita condição de assumir em um plenário internacional, o compromisso de cumprir metas corajosas contra o desmatamento. Mas o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, promete que o Brasil terá as metas de maior impacto entre os países em desenvolvimento.

Para Minc, ”o Brasil vai ter uma meta forte, e não apenas a queda do desmatamento de 80%, que significa a redução de 20% das emissões brasileiras em 2020, mas também com a redução significativa em outros setores como agropecuária, siderurgia e desmatamento em outros biomas”.

Resta aguardar os novos números que serão anunciados dia 14 de novembro, após decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Portanto, fé e esperança nessa proposta que promete harmonizar tantas contradições e conflitos.

Leia aqui o relatório completo do IMAZON sobre o desmatamento na Amazônia Legal.

Leia mais sobre a super anistia para desmatadores ilegais aqui e aqui.


Jessica Williams: A Arte do Piano

•Outubro 31, 2009 • Deixe um comentário

Jessica Williams é um dos tesouros culturais norte-americanos e está entre os dez melhores pianistas de jazz do mundo. Foi uma das primeiras artistas a ter sua própria editora (JJW Music) e site de venda de discos www.jessicawilliams.com. Nascida em 1948, já lançou mais de 40 discos. Com “The Art of the Piano” (Origin 82542 – 2009) apresenta pela terceira vez um trabalho solo, desta vez gravado ao vivo em abril de 2009, na casa de espetáculos Triple Door, de Seattle WA.

No livreto que acompanha o cd ela sintetiza sua carreira numa frase: “A mediocridade está em toda parte e pode até ser aprendida na escola. Um verdadeiro músico é quase sempre autodidata”. Seus primeiros ídolos musicais foram John Coltrane e Miles Davis. Quase ao mesmo tempo, Bill Evans. Mas a maior influência mesmo veio do canadense Glenn Gould, sobretudo de sua interpretação para as Variações Goldberg, de J.S. Bach. Ela revela que sempre sentiu-se atraída por artistas assim, esses criadores cuja arte às vezes ofende, provoca controvérsia, mas que é impossível esquecer. “Sou atraída por musicos que são iconoclastas”, diz.

Hoje Jessica Williams tornou-se referência para a nova geração de intérpretes e compositores de jazz, e agora é impossível esquecer sua arte. Confira ouvindo-a interpretar sua composição “Love and Hate”, que está no cd “The Art of the Piano”.

Alguma poesia de Fortaleza

•Outubro 29, 2009 • Deixe um comentário

Em Fortaleza, no Café Lua da Livraria Lua Nova, (avenida 13 de Maio,2861) dia 30/10, a partir das 18:30, o lançamento da antologia bilingue, “Meio- dia – alguna poesía de Fortaleza”, reunindo Carlos Augusto Lima, Henrique Dídimo, Rodrigo Marques, Virna Teixeira, Eli Castro, Manoel Ricardo de Lima, Eduardo Jorge, Rodrigo Magalhães, Diana Mello, Ruy Vasconcelos, Júlio Lira e Cândido Rolim.

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As lágrimas “amargas” de José Sarney

•Outubro 26, 2009 • Deixe um comentário

Em nota divulgada nesta segunda-feira (26/10), o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), diz que recebeu com “grande amargura” a decisão de fechar a Fundação José Sarney, da qual era patrono. A solução foi escolhida pelo conselho curador da entidade. Em entrevista publicada na coluna da jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, Sarney confirma que o funcionamento de “um dos maiores espaços culturais do Norte e Nordeste” será interrompido por “falta de meios”. A nota oficial lamenta pelo Maranhão “que perde um centro de documentação e pesquisa que é uma referência nacional”. Leia o comunicado aqui.

Ora, em primeiro lugar, o Maranhão não perde nada pois a Fundação, fechada em boa hora, só preservava mesmo a memória e os “feitos”de José Sarney. Ela não é referência para nada no País. Não se conhece uma ação sequer dessa entidade que tenha resultado em benefício para o povo do Maranhão. Não produziu também nenhuma pesquisa histórica ou social de valor para o Brasil. Quanto aos “meios que faltaram” para sua sustentação, as fontes secaram simplesmente porque os beneméritos contribuintes preferiram não arriscar seus nomes e seus patrimônios conectando-os às muitas denúncias de desvios de verbas na Fundação. Só da Petrobras foram desviados 1,3 milhão de verbas destinadas a um projeto cultural que nunca foi executado. Estes e outros recursos acabavam sempre sendo desviados para empresas fantasmas ou da família de José Sarney.

O fim da Fundação vem possibilitar finalmente o cumprimento de uma decisão da Justiça Federal que determinou em junho de 2009 que o prédio ocupado pela instituição, o Convento das Mercês, tombado em 1974 pelo Patrimônio Histórico da União fosse desocupado e devolvido ao Governo do Maranhão. Um dos principais pontos turísticos do Centro Histórico de São Luis, o Convento das Mercês tem mais de cinco mil metros quadrados de área construída e outros sete mil de área livre. Leia mais aqui e aqui.

P I X O estréia em São Paulo

•Outubro 25, 2009 • Deixe um comentário

ªO filme PIXO, doc de João Wainer e Roberto Oliveira que mostra o impacto da pichação como fenômeno cultural na cidade de São Paulo e sua influência internacional como uma das principais correntes da Street Art, estréia finalmente hoje, 25/10 e continua em cartaz até 4 de novembro, dentro da programação da 33ª Mostra Internacional de Cinema, em São Paulo.

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O filme participou da exposição Né dans la rue (Nascido na Rua), da Fondation Cartier pour l’Art Contemporain, em Paris. O documentário mostra a realidade dos pichadores, acompanha algumas ações, os conflitos com a polícia e mostra um outro olhar sobre algumas intervenções já muito exploradas pela mídia. O filme não traz respostas, mas fornece argumentos para o debate: pichação é arte ou é crime?

Se você está em São Paulo e quer assistir aqui estão os locais, datas e horários:

SESSÃO DATA SALA
230 25/10 – domingo
22:30
Unibanco Arteplex 1
959 31/10 – sábado
20:50
Matilha Cultural
1175 03/11 – terça-feira
18:40
Unibanco Arteplex 4
1291 04/11 – quarta-feira
21:15
Cine Bombril Sala 1