O Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia – IMAZON liberou hoje, 25/11, os dados sobre o desmatamento de outubro deste ano. O número total ainda é muito elevado: 194 quilômetros quadrados de desmatamento, 90% a mais que o mesmo período em 2008 e apenas 10% abaixo de setembro de 2009.
Números preocupantes porque se for mantido esse padrão o Brasil terá imensas dificuldades a superar para cumprir a meta de preservação do meio ambiente que apresentará no próximo mês na conferência internacional sobre o clima, em Copenhague.
O desmatamento acumulado de agosto a outubro de 2009 (três primeiros meses do calendário atual de desmatamento) totalizou 682 quilômetros quadrados. Isso representa um aumento de 30% em relação ao desmatamento ocorrido no mesmo período do ano anterior, o qual somou 525 quilômetros quadrados.
O Pará (357 km²) continua liderando o ranking da devastação com 52% do total desmatado registrado no período de agosto a outubro de 2009. Em seguida aparece o Mato Grosso (96 km²) com 14%, seguido de perto por Rondônia (89 km²) com 13% e Amazonas (81 km²) com 12%. Esses quatro Estados contribuíram com 91% do total desmatado no período. O restante (9%) ocorreu no Acre (24 km²), Roraima (19 km²) e Amapá (15 km²). Segundo a análise do IMAZON, em termos relativos o aumento da devastação na floresta foi mais expressivo em Roraima (+ 209%), Acre (+149%), Rondônia (+119%), Amazonas (+64%) e Pará (+20%). Por outro lado, houve redução de 17% em Mato Grosso.
Examinado em termos de situação fundiária 83% do desmatamento foi praticado em áreas privadas ou em diversos estágios de posse. O restante aconteceu em Assentamentos de Reforma Agrária (4%), Unidades de Conservação (9%) e mais 7% em Terras Indígenas. Os municípios que apresentaram situação mais crítica de desmatamento em outubro foram São Félix do Xingu (Pará) com 12 km², Óbidos (Pará) com 7,7 km² e Feliz Natal (Mato Grosso) com 6,7 km².
Para ler a íntegra do relatório Transparência Florestal, produzido pelo IMAZON, clique aqui.
A PROPOSTA DE OBAMA PARA COPENHAGUE
O presidente norte-americano, Barack Obama, antecipou ontem (24/11) a proposta que apresentará no dia 7 de dezembro na abertura da conferência internacional do clima em Copenhague. Em síntese: reduzir as emissões de gases que provocam o efeito estufa em torno de 17% em relação aos índices de 2005 até o ano de 2020, 30% por volta de 2025, 42% em 2030 e 83% em 2050.
A proposta não passou pela aprovação do Congresso e representa uma decisão arriscada de Obama, porque históricamente nunca houve ação do Congresso norte-americano estabelecendo limites para a emissão de poluentes. Assumir um compromisso em Copenhague como forma de induzir o Congresso a aprovar legislação específica no próximo ano, depende também das metas dos países em desenvolvimento. A Índia ainda não sinalizou sua posição, mas o Brasil anunciou uma redução que pode chegar a 39% e a China antecipou também a meta que irá propor em Copenhague: redução de 40 a 45%, até 2020.
A proposta chinesa ainda está abaixo das expectativas. Primeiro porque a exemplo dos Estados Unidos toma como referência os indices de 2005 e não os de 1990. Na realidade a meta da China está focada na eficiência energética e não na redução total das emissões de gases poluentes. Quer dizer que o esforço será para controlar a emissão de gases poluentes por unidade de produção. Continuará poluindo muito só que relativamente a taxas menores. Sua proposta continua pelo menos 5% abaixo do sugerido pelos países da União Européia.
Os chineses continuam batendo na mesma tecla: não vão fazer um esforço mais significativo se isso implicar em comprometer suas metas de desenvolvimento, e não vão frear seu processo econômico se os países desenvolvidos não são os primeiros a dar o exemplo. De qualquer forma é importante não esquecer que exatamente devido ao seu acelerado processo de desenvolvimento, a China ultrapassou há dois anos os Estados Unidos como maior emissor de gases causadores do efeito estufa.
Na realidade os números da proposta de Barack Obama também estão 5,5% abaixo dos índices de 1990 que são referência para a maior parte dos países. É inferior inclusive ao que Bill Clinton havia prometido nas conversações de Kyoto em 1997 e mais abaixo ainda da faixa de 25 a 40% de redução de gases poluentes que a União Européia recomendou ao bloco dos países industrializados.
Assim, apesar de parecer politicamente ousada, a proposta de Obama revela mais uma vez que os Estados Unidos não estão dispostos a dar uma contribuição maior no esforço global pelo equilíbrio do meio ambiente. Apontar uma possibilidade de redução de 83% dos índices de poluição por volta de 2050 é o mesmo que zombar de todas as previsões científicas. Pelo menos duas décadas antes o mundo já estará sofrendo os efeitos mais pesados do aquecimento global, inclusive com o esgotamento de fontes de água potável.
A conta continua sendo repassada aos países em desenvolvimento. Um relatório sobre os possíveis impactos econômicos das mudanças climáticas no Brasil, mostra que o país pode vir a perder R$3,6 trilhões em quatro décadas. O relatório prevê que cada cidadão brasileiro pode perder entre R$534 e R$1.603 de PIB per capita em 2050.
Leia aqui as principais conclusões do relatório elaborado pela USP, INPE, UFRJ, UFMG, IPEA, CNPq, BNDES, entre outras instituições.
Dois sudaneses bebem água do pântano usando tubos plásticos com sistema de filtragem para evitar a ingestão de larvas.
ALERTA SOBRE EMISSÃO DE CARBONO
Matéria sobre a conferência internacional do clima em Copenhague, publicada na edição de 4 de novembro da revista New Scientist, revela um dado preocupante: o limite crítico do que a atmosfera terrestre pode suportar de emissão de carbono é de 250.000 megatoneladas (uma megatonelada equivale a 1 milhão de toneladas). Se continuarmos nas taxas atuais teremos esgotado esse limites dentro de 20 anos.
Desde o começo da revolução industrial, a partir da metade da década de 1700, a humanidade emitiu algo em torno de 500.000 megatoneladas de carbono, equivalente a 1.8 milhão de megatoneladas de dióxido de carbono. A maior parte dessas emissões resultou da derrubada de florestas e da queima de combustíveis fósseis. Pela previsão dos cientistas, se forem emitidas cerca de 750.000 megatoneladas totais em 2009, teremos ainda 75% de chances de limitar o aquecimento global a 2°C.
E 2°C é conveniente? É o possível e ainda assim, com muita dificuldade. Não existe taxa de aquecimento global livre de riscos e modelos laboratoriais que com 2°C de aquecimento global cerca de 1 bilhão de pessoas vão sofrer racionamento ou falta total de água potável e a maior parte dos bancos de corais dos oceanos serão destruídos. Por isso nações pobres inclusive estados-nação localizados em ilhas, particularmente vulneráveis ao aumento do nível do mar, lutam para que o limite crítico de aquecimento seja estabelecido em 1,5°C. Dificilmente isso será conseguido.
Veja o gráfico publicado na New Scientist. O Brasil apresenta o menor volume de emissão de carbono.













