Balanço do desmatamento, a meta de Obama e o limite do carbono

•Novembro 26, 2009 • Deixe um comentário

O Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia – IMAZON liberou hoje, 25/11, os dados sobre o desmatamento de outubro deste ano. O número total ainda é muito elevado: 194 quilômetros quadrados de desmatamento, 90% a mais que o mesmo período em 2008 e apenas 10% abaixo de setembro de 2009.

Números preocupantes porque se for mantido esse padrão o Brasil terá imensas dificuldades a superar para cumprir a meta de preservação do meio ambiente que apresentará no próximo mês na conferência internacional sobre o clima, em Copenhague.

O desmatamento acumulado de agosto a outubro de 2009 (três primeiros meses do calendário atual de desmatamento) totalizou 682 quilômetros quadrados. Isso representa um aumento de 30% em relação ao desmatamento ocorrido no mesmo período do ano anterior, o qual somou 525 quilômetros quadrados.

O Pará (357 km²) continua liderando o ranking da devastação com 52% do total desmatado registrado no período de agosto a outubro de 2009. Em seguida aparece o Mato Grosso (96 km²) com 14%, seguido de perto por Rondônia (89 km²) com 13% e Amazonas (81 km²) com 12%. Esses quatro Estados contribuíram com 91% do total desmatado no período. O restante (9%) ocorreu no Acre (24 km²), Roraima (19 km²) e Amapá (15 km²). Segundo a análise do IMAZON, em termos relativos o aumento da devastação na floresta foi mais expressivo em Roraima (+ 209%), Acre (+149%), Rondônia (+119%), Amazonas (+64%) e Pará (+20%). Por outro lado, houve redução de 17% em Mato Grosso.

Examinado em termos de situação fundiária 83% do desmatamento foi praticado em áreas privadas ou em diversos estágios de posse. O restante aconteceu em Assentamentos de Reforma Agrária (4%), Unidades de Conservação (9%) e mais 7% em Terras Indígenas. Os municípios que apresentaram situação mais crítica de desmatamento em outubro foram São Félix do Xingu (Pará) com 12 km², Óbidos (Pará) com 7,7 km² e Feliz Natal (Mato Grosso) com 6,7 km².

Para ler a íntegra do relatório Transparência Florestal, produzido pelo IMAZON, clique aqui.

A PROPOSTA DE OBAMA PARA COPENHAGUE

O presidente norte-americano, Barack Obama, antecipou ontem (24/11) a proposta que apresentará no dia 7 de dezembro na abertura da conferência internacional do clima em Copenhague. Em síntese: reduzir as emissões de gases que provocam o efeito estufa em torno de 17%  em relação aos índices de 2005 até o ano de 2020, 30% por volta de 2025, 42% em 2030 e 83% em 2050.

A proposta não passou pela aprovação do Congresso e representa uma decisão arriscada de Obama, porque históricamente nunca houve  ação do Congresso norte-americano estabelecendo limites para a emissão de poluentes. Assumir um compromisso em Copenhague como forma de induzir o Congresso a aprovar legislação específica no próximo ano, depende também das metas dos países em desenvolvimento. A Índia ainda não sinalizou sua posição, mas o Brasil anunciou uma redução que pode chegar a 39% e a China antecipou também a meta que irá propor em Copenhague: redução de 40 a 45%, até 2020.

A proposta chinesa ainda está abaixo das expectativas. Primeiro porque a exemplo dos Estados Unidos toma como referência os indices de 2005 e não os de 1990. Na realidade a meta da China está focada na eficiência energética e não na redução total das emissões de gases poluentes. Quer dizer que o esforço será para controlar a emissão de gases poluentes por unidade de produção. Continuará poluindo muito só que relativamente a taxas menores. Sua proposta continua pelo menos 5% abaixo do sugerido pelos países da União Européia.

Os chineses continuam batendo na mesma tecla: não vão fazer um esforço mais significativo se isso implicar em comprometer suas metas de desenvolvimento, e não vão frear seu processo econômico se os países desenvolvidos não são os primeiros a dar o exemplo. De qualquer forma é importante não esquecer que exatamente devido ao seu acelerado processo de desenvolvimento, a China ultrapassou há dois anos os Estados Unidos como maior emissor de gases causadores do efeito estufa.

Na realidade os números da proposta de Barack Obama também estão 5,5% abaixo dos índices de 1990 que são referência para a maior parte dos países. É inferior inclusive ao que Bill Clinton havia prometido nas conversações de Kyoto em 1997 e mais abaixo ainda da faixa de 25 a 40% de redução de gases poluentes que a União Européia recomendou ao bloco dos países industrializados.

Assim, apesar de parecer politicamente ousada, a proposta de Obama revela mais uma vez que os Estados Unidos não estão dispostos a dar uma contribuição maior no esforço global pelo equilíbrio do meio ambiente. Apontar uma possibilidade de redução de 83% dos índices de poluição por volta de 2050 é o mesmo que zombar de todas as previsões científicas. Pelo menos duas décadas antes o mundo já estará sofrendo os efeitos mais pesados do aquecimento global, inclusive com o esgotamento de fontes de água potável.

A conta continua sendo repassada aos países em desenvolvimento. Um relatório sobre os possíveis impactos econômicos das mudanças climáticas no Brasil, mostra que o país pode vir a perder R$3,6 trilhões em quatro décadas. O relatório prevê que cada cidadão brasileiro pode perder entre R$534 e R$1.603 de PIB per capita em 2050.

Leia aqui as principais conclusões do relatório elaborado pela USP, INPE, UFRJ, UFMG, IPEA, CNPq, BNDES, entre outras instituições.

Dois sudaneses bebem água do pântano usando tubos plásticos com sistema de filtragem para evitar a ingestão de larvas.

ALERTA SOBRE EMISSÃO DE CARBONO

Matéria sobre a conferência internacional do clima em Copenhague, publicada na edição de 4 de novembro da revista New Scientist, revela um dado preocupante: o limite crítico do que a atmosfera terrestre pode suportar de emissão de carbono é de  250.000 megatoneladas (uma megatonelada equivale a 1 milhão de toneladas). Se continuarmos nas taxas atuais teremos esgotado esse limites dentro de 20 anos.

Desde o começo da revolução industrial, a partir da metade da década de 1700, a humanidade emitiu algo em torno de 500.000 megatoneladas de carbono, equivalente a 1.8 milhão de megatoneladas de dióxido de carbono. A maior parte dessas emissões resultou da derrubada de florestas e da queima de combustíveis fósseis. Pela previsão dos cientistas, se forem emitidas cerca de 750.000 megatoneladas totais em 2009, teremos ainda 75% de chances de limitar o aquecimento global a 2°C.

E 2°C é conveniente?  É o possível e ainda assim, com muita dificuldade. Não existe taxa de aquecimento global livre de riscos e modelos laboratoriais que com 2°C de aquecimento global cerca de 1 bilhão de pessoas vão sofrer racionamento ou falta total de água potável e a maior parte dos bancos de corais dos oceanos serão destruídos. Por isso nações pobres inclusive estados-nação localizados em ilhas, particularmente vulneráveis ao aumento do nível do mar, lutam para que o limite crítico de aquecimento seja estabelecido em 1,5°C. Dificilmente isso será conseguido.

Veja o gráfico publicado na New Scientist. O Brasil apresenta o menor volume de emissão de carbono.

O processo da freira contra o blogueiro: lições sobre tolerância e responsabilidade

•Novembro 24, 2009 • 11 Comentários

Fortaleza-CE, ano de 2008. Um estudante de jornalismo, Emilio Moreno da Silva Neto, hoje com 33 anos, editor do blog Liberdade Digital, publicou nota repercutindo uma briga entre dois alunos do Colégio Santa Cecília, um dos mais tradicionais estabelecimentos de ensino da capital cearense. Um internauta visitou o blog e postou comentário insultando a diretora do colégio – a freira Eulália Maria Wanderley de Lima – e criticando sua atuação durante a briga dos alunos.

O tempo passou. No segundo semestre de 2008, a diretora do colégio abriu uma ação contra o blogueiro, por danos morais. Segundo informações do Tribunal de Justiça do Ceará, publicadas no blog G1, o estudante compareceu às quatro primeiras audiências. A freira faltou a todas estas. Mas, por intermédio de seu advogado, justificou as ausências, alegando compromissos profissionais.

Na quinta audiência, Emílio Moreno não compareceu. Nem justificou a ausência. Tivesse recebido melhor orientação jurídica saberia ao que estava se expondo. Mas a freira estava presente. O juiz aceitou a ação e condenou Emílio a pagar 40 salários mínimos de compensação financeira, o equivalente à época a R$16,6 mil. Ainda assim, Emílio complicou mais sua situação: perdeu o prazo para entrar com recurso e a ação “transitou em julgado”.

No dia 21 de novembro de 2009, Emílio Moreno da Silva Neto recebeu notificação da Justiça sobre penhora de bens para pagar a indenização, ainda com possibilidade de reverter a penhora se conseguir levantar o dinheiro para quitar a determinação legal.

O blogueiro que  também é um dos mais ativos participantes do Twitter (@emiliomoreno) alega não ter bens que possam ser penhorados. Seus amigos internautas (Emílio é muito popular e foi um dos organizadores de uma excelente ação cidadã via Twitter, chamada #buracosfortaleza no início deste ano) já iniciaram uma mobilização de solidariedade e levantamento de recursos para pagar a conta.

De tudo isso sobram algumas lições. A primeira é a da responsabilidade com a informação. Emílio não filtrou o comentário do internauta, não soube avaliar seu teor, nem calcular o dano que a agressão escrita poderia causar à parte atingida, a freira Eulália Maria Wanderley de Lima, e por extensão, ao Colégio Santa Cecília, do qual ela é diretora. Deixou ficar o comentário, até que foi contactado pelo escritório de advocacia que representa a freira. Só então foi descobrir que era falso o endereço email que o internauta havia fornecido para postar a nota. E só então apagou o comentário.

É bem verdade que Emílio ofereceu direito de resposta. É  verdade também que a freira desprezou esse direito e autorizou o processo contra o blogueiro. Ignorou os preceitos de tolerância e perdão, eixos do catolicismo, e os substituiu pela práxis secular da indenização pela ofensa. Direito de cidadania. E na expressão sertaneja de outros tempos: aqui se faz, aqui se paga.

Simples e direto. Perdão sequer foi pensado, porque pressupõe diálogo e este não se estabeleceu. Definiu-se desde o início da ação (a freira faltou a todas as quatro primeiras audiências) a busca de punição pela cobrança de indenização material. Nada de acordo nem troca da retaliação financeira por disciplinamento pelo trabalho comunitário ou contribuição nos programas sociais mantidos pelo colégio. A freira perdeu sim ocasião preciosa para fazer valer os mais básicos princípios cristãos e de quebra trazer uma reflexão positiva para a sociedade  sobre ética e responsabilidade na internet.

Construiu-se uma barreira de intolerância que só revela o despreparo de uma representante de uma instituição católica de ensino, considerada paradigma de qualidade. Em se tratando do Colégio Santa Cecília, saudades da Madre Tereza Maria, exemplo perfeito de educadora e democrata.

No outro extremo, essa ocorrência desastrada demonstrou mais uma vez que muitos que escrevem na internet ainda não entendem realmente o que é liberdade de informação, respeito ao indivíduo, responsabilidade com a comunicação. Mas não é característica apenas dos que escrevem na internet. A imprensa de papel viola todos os dias esses preceitos. No entanto, o que aconteceu é mais grave porque envolve um estudante de jornalismo, considerado especialista em  redes sociais, atuando inclusive no mercado local como consultor.

Fui educado por jesuítas. Aprendi com eles a defender a liberdade de expressão. Mas me ensinaram também a ter responsabilidade social e humildade para admitir meus erros. Comecei também muito cedo a prática de jornalismo, seguindo o que Claudio Abramo chamava de “ética do marceneiro”.  A freira Eulália precisa rever sua prática cristã e seu compromisso social como educadora. Ao estudante Emílio, deixo o conselho de quem está nessa profissão faz quarenta anos: se quer mesmo ser jornalista, use esse episódio como aprendizado para se corrigir e crescer profissionalmente. E não seja displicente em relação à Justiça.

LEITURA RECOMENDADA: Manual de sobrevivência na selva de bits: evitando as ações judiciais contra publicações na Internet elaborado por Túlio Lima Vianna e Cynthia Semíramis Vianna

O Circo pelo olhar do fotógrafo Jacques Antunes

•Novembro 24, 2009 • Deixe um comentário

Prêmio Google Earth Hero para cacique Almir e tribo Suruí no Amazonas

•Novembro 21, 2009 • Deixe um comentário

O Cacique Almir, líder da tribo Suruí no Amazonas acaba de ganhar o prêmio Google Earth Hero. Sua comunidade está usando smartphones que utilizam o sistema Android, documentando e divulgando na internet todas as tentativas de invasão de suas terras e de violação das reservas florestais. Eles já iniciaram um projeto que pretende em dez anos plantar um milhão de novas mudas de árvores nas zonas devastadas da floresta amazônica. Em parceria com o Amazon Conservancy e Google Earth Outreach a tribo do Cacique Almir tem a possibilidade de arrecadar 16 milhões de dólares em créditos de carbono, uma conquista preciosa para a preservação do meio ambiente e da cultura Suruí.

Veja abaixo o vídeo que resume essa história exemplar do uso de tecnologia sofisticada de comunicação para conectar uma comunidade indígena com o mundo, partilhando sua sabedoria ancestral de convivência harmoniosa com a natureza.

Hotspots de WiFi: quais os países que têm mais

•Novembro 19, 2009 • Deixe um comentário

Um levantamento feito pela empresa de avaliação de audiência de midia móvel JiWire, publicado pela revista The Economist, revelou que pessoas que viajam a negócios pelo mundo têm hoje uma oferta de mais de 286 mil hotspots de WiFi, comparado com os 53.700 de cinco anos atrás. Na lista dos 10 países com maior oferta de hotspots, os Estados Unidos, país pioneiro na difusão de redes de comunicação por banda larga, continua em primeiro lugar, mas usando métricas individuais a Suécia e a Inglaterra apresentam melhores taxas de qualidade de sinal. A China também está ampliando consideravelmente suas redes o mesmo acontecendo com a Coréia do Sul. O Brasil nem é citado na matéria. Veja abaixo o gráfico.

Ontem, 17/11, durante o primeiro dia de discussão do Fórum Internacional da Cultura Digital Brasileira que está acontecendo na Cinemateca Brasileira, em São Paulo, o atraso do Brasil nesse campo ficou evidente.

Acompanhe as conferências de hoje aqui. Veja no Slideshare a apresentação de ontem do sociólogo e membro da comunidade do software livre, Sergio Amadeu da Silveira (http://twitter.com/samadeu), com destaque para os bem sucedidos projetos de redes WiFi gratuitas nos municípios brasileiros de Quissamã, Sud Mennucci e Tapira. E leia no Guia das Cidades Digitais sobre outras experiências de sucesso.

Intervozes – Levante sua voz

•Novembro 14, 2009 • Deixe um comentário

Vídeo sobre direito à comunicação produzido pelo Intervozes Coletivo Brasil de Comunicação Social com o apoio da Fundação Friedrich Ebert Stiftung. O vídeo retrata a concentração dos meios de comunicação no Brasil.

Roteiro, direção e edição: Pedro Ekman
Produção executiva e produção de elenco: Daniele Ricieri
Direção de Fotografia e câmera: Thomas Miguez
Direção de Arte: Anna Luiza Marques
Produção de Locação: Diogo Moyses
Produção de Arte: Bia Barbosa
Pesquisa de imagens: Miriam Duenhas
Pesquisa de vídeos: Natália Rodrigues
Animações: Pedro Ekman
Voz: José Rubens Chachá

CC – Alguns direitos reservados
Você pode copiar, distribuir, exibir e executar a obra livremente com finalidades não comerciais.
Você pode alterar, transformar ou criar outra obra com base nesta.
Você deve dar crédito ao autor original.

Agradecimento pela dica a Ilo Aguiar / @iloaguiar (Twitter) / iloaguiar’s posterous (http://iloaguiar.posterous.com)

Aquecimento global: a proposta brasileira para conferência de Copenhague

•Novembro 14, 2009 • 2 Comentários

Numa sexta-feira 13 não poderia haver melhor notícia. Saiu a proposta do Brasil que será apresentada dia 7 de dezembro em Copenhague, na conferência sobre mudanças climáticas. O anúncio foi feito em São Paulo pela ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.

Logo aí uma habilidosa jogada política. Escolher o Estado governado por seu mais sério e eventual futuro opositor, José Serra (PSDB), como palco para o anúncio antecipado da proposta brasileira que será apresentada em Copenhague é uma definição de espaço político para a pré-candidata à presidência da República. Entrevistada após o anúncio e perguntada sobre a participação de São Paulo no esforço do controle e melhoria do meio ambiente, Dilma Rousseff disse que a proposta do governo paulista era boa, mas São Paulo era um Estado e ela estava ali representando o Brasil. Como disse o repórter da rádio CBN, “criou um clima”.

Mas o anúncio da proposta do Brasil para o controle e defesa do meio ambiente foi antecipado também porque Marina Silva (PV) deve concorrer na eleição de 2010. O governo federal sai na frente para garantir a primazia no discurso ecologicamente correto.

Nos bastidores ficou o responsável pela verdadeira articulação e avanço dessa proposta: o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc. Se dependesse da ministra Dilma Rousseff e do ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Machado Rezende, a proposta seria mais conservadora. Agora todos comemoram.

O compromisso brasileiro é de diminuir até 2020 entre 36.1% e 38,9% a emissão de gases que provocam o aquecimento do planeta. Para realizar esse objetivo será necessário reduzir em 80% o desmatamento na Amazônia e conter 40% da destruição do bioma cerrado. Na prática isso condicionará o setor agropecuário a recuperar pastos e integrar áreas de pecuária e lavoura. No setor energético será estimulado o aumento da utilização de biocombustíveis e também maiores investimentos em hidrelétricas e fontes limpas de energia. As siderúrgicas devem passar a usar carvão produzido com madeira de áreas reflorestadas.

O governo ainda não definiu de onde vão sair os recursos para esses programas, mas quer a participação da população em reciclagem e consumo consciente. O presidente Luis Inácio Lula da Silva viajou ontem para a França onde apresentará a proposta brasileira ao presidente Nicolas Sarkozi, buscando apoio para a conferência de Copenhague.

DEMANDA DE PETRÓLEO ATÉ 2030

Ontem também The Economist publicou um gráfico com projeções da Agência Internacional de Energia para  o consumo de petróleo até 2030. A demanda global deverá passar de 84,7 milhões de barris/dia em 2008 para 105 milhões de barris/dia em 2030. Meios de transporte vão responder por 97% desse crescimento devido ao aumento das frotas de veículos nos países em desenvolvimento. Em 2030, os Estados Unidos, Japão e Europa deverão estar consumindo menos petróleo que em 1980, enquanto o consumo deve ter um aumento considerável na Asia – em particular na India e China – com a demanda devendo crescer cerca de 400% em comparação com 2008.

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Elis Marsalis Trio: What Is This Thing Called Love

•Novembro 14, 2009 • Deixe um comentário

Elis Marsalis (piano), pai de Branford e Wynton, mostrando porque a música está no DNA da família. A peça é o standard cult de Cole Porter, “What’s This Thing Called Love”. Formando o trio perfeito, Jesper Lungaard (contrabaixo) e Clarence Penn (bateria).

O futuro dos arquivos digitais no século de petabytes de informação

•Novembro 11, 2009 • 1 Comentário

O apagão da noite de terça-feira, 10/11, que deixou 18 Estados no escuro, me fez recordar Jane Jacobs, crítica do planejamento urbano, falecida em 2006 aos 89 anos. Em seu último livro (Dark Age Ahead, Random House 2004) ela disse que a internet dava um falso senso de segurança sobre a permanência da cultura. Jacobs acreditava que os milhões de detalhes de uma cultura viva e complexa não são transmitidos pela escrita ou qualquer outra representação gráfica, mas sim pela transmissão oral e pelo exemplo dos mestres de ofícios.

E o escritor italiano Umberto Eco sempre torceu o nariz para o armazenamento (storage) de informação em meios eletrônicos, mídias digitais, suportes como CD-ROM ou DVDs. Ele disse: “O formato do disquete de computador já desapareceu. Não durou 30 anos. Se tenho de deixar uma mensagem à posteridade, o farei em forma de livro e não em suporte eletrônico”.

A regra preconizada por Jane Jacobs é cada vez menos praticada e no cenário da comunicação digital do século 21 os sistemas de informação fornecem exatamente essa ilusão de segurança e onisciência. Pouco mais de duas horas de apagão serviram como demonstração de nossa fragilidade: celulares sem conexão, estações rádio base colapsando, degradação de ping para vários endereços na rede, até mesmo o Twitter começando a dar sinais de esgotamento à medida que baterias de celulares e notebooks iam descarregando. Sem nobreaks, sem becapes automáticos (nessas horas quem usa Mac e TimeMachine respira aliviado) muita gente que estava trabalhando em seus computadores deve ter perdido dados preciosos.

O cenário da noite de ontem serve para introduzir o tema do armazenamento e preservação da informação em midias ópticas. Numa época em que arquivos digitais são gradativamente guardados na nuvem virtual do Google, ZoHo, DropBox, File Dropper e outros ou então em HDs domésticos com grandes capacidades de estocagem, a TDK recentemente divulgou uma impressionante conquista técnica: um disco óptico de 10 camadas com capacidade para estocar 320 GB de informação utilizando a tecnologia Blu-ray. Para se ter uma idéia do que isso representa, os atuais discos Blu-ray tem uma capacidade de estocagem de 25 gigabytes por camada.

É interessante, mas chega atrasado porque o arquivamento óptico está com os dias contados. Veja as razões:

Capacidade: as melhores respostas competitivas das mídias ópticas aconteceram com o CD-ROM, no início dos anos 90, e com o DVD no começo da década de 2000. Mas o disco Blu-ray de multi camadas nunca deixará de ser apenas uma fração da capacidade de armazenagem dos discos rígidos atuais.

Desempenho: a taxa de transferência de dados do Blu-ray (24X) é a metade da oferecida pelos HDs atuais. E a medida que o espaço de arquivo aumenta os discos rígidos também estão ficando cada vez mais rápidos. Já o Blu-ray deve estacionar no limite máximo de 48X.

Densidade: trabalhar com uma única espécie de mídia é melhor e mais simples que lidar com 6 ou 10 tipos diferentes. A elevada densidade dos discos rígidos atuais os torna mais convenientes.

Custo: além de não terem sido popularizados nos PCs os gravadores de Blu-ray são muito caros bem como a mídia. Enquanto isso, um HD Firewire ou USB custa em média 100 dólares no mercado internacional, e oferece tempo de acesso muito mais rápido, mais capacidade de estocagem e transferência de dados. Se existisse demanda os preços de harware e mídia Blu-ray poderiam cair, mas quem garante que essa demanda acontecerá?

A história evolutiva da informática demonstra que a medida que as atualizações tecnológicas acontecem os meios eletrônicos de cópia e armazenagem de dados são sucateados. Por isso Umberto Eco ridicularizou a breve duração dos disquetes.

Para que dados arquivados eletrônicamente continuem podendo ser consultados, editados e reproduzidos, 20 anos é um prazo padrão para a mudança dos sistemas de armazenamento de informação. A migração digital consome tempo e muito dinheiro. Para se ter uma idéia, armazenar e manter íntegra uma cópia master digital em alta resolução de um filme, custa cerca de 12,500 dólares por ano. Arquivar uma cópia comum do filme custa 1.000 dólares anuais.

O Centro de Conservação Audio Visual da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, gasta milhões de dólares por ano arquivando músicas, noticiários de rádio e televisão e todos os livros publicados sobre a história norte-americana. É um volume extraordinário de informação. Até 2012 a instituição que este ano armazenará cerca de 4 petabytes estará arquivando 20 petabytes anualmente. Um petabyte equivale a um milhão de gigabytes e representa algo como 330.000 horas de programação de TV.

A maior parte dos consumidores domésticos ainda vai utilizar por alguns anos os DVDs e um percentual menor garantirá uma sobrevida aos CDs, mas a mudança de foco e lógica na armazenagem de informação está mudando rapidamente para arquivos online (a “nuvem” oferecida pelo Google, ZoHo, DropBox, File Dropper e muitos outros serviços) e para HDs externos domésticos. A indústria ainda não cedeu ao fascínio da cloud computing & storage, mas soluções seguras já estão surgindo para atender esse mercado.

Mais e mais pessoas vão baixar conteúdo informativo e de diversão diretamente da internet, eventualmente estocando o material em suas bibliotecas digitais. Se por acaso o HD pifar, a casa for inundada ou pegar fogo, os fornecedores na internet estarão disponíveis para novos downloads. Pouca gente vai se dar ao trabalho de continuar gravando e guardando montanhas de CDs e DVDs. Os pendrives atuais com capacidade para 16, 32 ou mais gigabytes indicam a tendência e os futuros (próximos 5 anos) chips Terabit 3D possibilitarão o transporte de imensas quantidades de informação como uma atividade banal. Esse é um mercado que crescerá sem limites.

O que nos traz de volta a Jane Jacobs e Umberto Eco. É claro que o aprendizado de modos e fazeres vai continuar acontecendo no universo digital. As inúmeras comunidades, as guildas informatizadas atuais, darão conta dessa tarefa. Mas se os meios eletrônicos pifarem, devido a catástrofe natural ou desastre causado pelo homem, no evento de uma nova “idade das trevas” é evidente que o saber-como-fazer uma infinidade de coisas vai depender das frágeis memórias dos sobreviventes e sobretudo das informações acumuladas nos livros e guardadas nas bibliotecas. Nesse sentido a tese de Umberto Eco continua parcialmente válida e o papel, dependendo das circunstâncias, pode preservar melhor as informações e possibilitar a construção de uma nova cultura. Mas imaginem transportar uma biblioteca tradicional para uma colônia no espaço…

Pensando nisso o professor Tadahiro Kuroda da Universidade Keio, no Japão, criou a “Pedra da Roseta Digital”, um chip de memória wireless encapsulado em silicone. Kuroda garante que o artefato pode guardar dados por um milênio.

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O chip de memória criado pelo professor Kuroda é formado por quatro finas camadas, cada qual contendo 1.100 nano chips. A “pedra da Roseta digital” tem capacidade para arquivar com segurança durante 1000 anos dados que hoje ocupariam 480 CDs. Se fossem comercializados hoje cada super chip custaria cerca de 625 dólares.

Na Universidade da California nasceu uma idéia mais ousada. O professor Alex Zettl desenvolveu um método que segundo ele garantirá à humanidade o arquivamento seguro de informações por um bilhão de anos. Zettl propõe chips de memória baseados em nano tubos e partículas de ferro. Mais radical que a proposta de Tadahiro Kuroda, o experimento de Zettl se conseguir ser viabilizado industrialmente, pode tornar a decadência digital de dados coisa do passado.

Como testar o futuro de sua mídia digital

Leia mais sobre a Pedra da Roseta Digital e sobre o projeto da Universidade da California, aqui e aqui.

Veja as 10 mais destacadas tendências de TI para 2010, segundo a consultoria Gartner.

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•Novembro 8, 2009 • Deixe um comentário

Filme de animação realizado pelo designer gráfico Olivier Beaudoin, com inspiração ambientalista e utilização de elementos de tipografia. A trilha sonora é “Nostrand”, música do grupo Ratatat. Premiado com o “Diplôme d’Or” na  Écodesign 2007 de São Petersburgo.