coreografismos
foto © Augusto Cesar Costa
Companhia carioca de dança Staccato/Paulo Caldas. Cena do espetáculo “Coreografismos”, apresentado no teatro do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (2004)
COREOGRAFISMOS
Lembro ter lido, uma vez, um trecho de um romance do escritor Georges Perec, em que ele decidira não utilizar a letra “e”, a letra mais usada na lingua francesa. Ao lado, ele havia deixado uma versão do mesmo texto sem esta restrição e era admirável ver, comparando os textos, o caminho novo da escrita desviada dos “e” e recorrendo a palavras que, do contrário, nunca apareceriam. Italo Calvino, leitor de Perec, reescreve as palavras de Nietzsche (“o que se denomina invenção é sempre um grilhão auto-imposto”) ao afirmar que o jogo só faz sentido com regras de ferro, a auto-imposição de uma disciplina sem sentido transcendente. Tal princípio motiva esse Coreografismos. Numa paisagem predominantemente restrita a um quadrado de quatro metros de lado e habitada por cinco bailarinos, pretende-se estabelecer a composição cênica como um exercício sobre a idéia de limitação: limitação espacial – a quase totalidade das frases de movimento se inscrevem mesmo num quadrado ainda menor (1m) – e limitação de elementos e regras de composição – a continuidade do fluxo de movimento, o contato das mãos, o trânsito diagonal, a permanência em cena, os arcos desenhados do vocabulário que se contrapõem à angulosidade e à dureza das linhas que, sob os pés, definem o cenário. PAULO CALDAS
Direção e coreografia: Paulo Caldas / Intérpretes/Pesquisa de Movimento: Carolina Wiehoff, Natasha Mesquita, Maria Alice Poppe, Paulo Caldas, Toni Rodrigues / Iluminação: José Geraldo Furtado / Técnico de luz: Luiz Ouve / Músicas: Chris Lancaster / Figurinos: Márcia Poppe
Para saber mais sobre a companhia de dança Staccato/Paulo Caldas clique aqui









Deixe uma resposta