Desmatamento na Amazônia aumentou 994% em 2010

Em dezembro de 2010, o Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) detectou 175 quilômetros quadrados de desmatamento na Amazônia Legal. Isso representou um aumento expressivo de 994% em relação a dezembro de 2009 quando o desmatamento somou somente 16 quilômetros quadrados. Por sua vez em janeiro de 2011 foi registrado 83 quilômetros quadrados de desmatamento, o que representou um aumento de 22% em relação a janeiro de 2010 quando o desmatamento atingiu 68 quilômetros quadrados.

O desmatamento acumulado no período de agosto de 2010 a janeiro de 2011, correspondendo aos seis primeiros meses do calendário atual de desmatamento, totalizou 858 quilômetros quadrados. Houve um ligeiro aumento de 3% em relação ao mesmo período anterior (agosto de 2009 a janeiro de 2010) quando o desmatamento somou 836 quilômetros quadrados.

As florestas degradadas na Amazônia Legal somaram 541 quilômetros quadrados em dezembro de 2010. Em comparação a dezembro de 2009, quando a degradação somou somente 11 quilômetros quadrados, houve um aumento extremamente expressivo de 4.818%. Em relação a janeiro de 2011, a degradação florestal atingiu 376 quilômetros quadrados. Isso representou um aumento de 637% em relação a janeiro de 2010 quando a degradação florestal foi de 51 quilômetros quadrados.

A degradação florestal acumulada no período de agosto de 2010 a janeiro de 2011 totalizou 3.722 quilômetros quadrados. Isso representou um aumento expressivo (338%) em relação ao período anterior (agosto de 2009 a janeiro de 2010) quando a degradação florestal somou 850 quilômetros quadrados.

O carbono florestal comprometido pelo desmatamento no período de agosto de 2010 a janeiro de 2011 (seis primeiros meses do atual calendário de desmatamento) foi de 13,9 milhões de toneladas, ou seja, cerca de 51 milhões de toneladas de C02 equivalente. Isso representa uma redução de 5,2% em relação ao período anterior (agosto de 2009 a janeiro de 2010) quando o carbono florestal afetado pelo desmatamento foi cerca de 47 milhões de toneladas de C02 equivalente.

Os dados são do Imazon e o relatório completo pode ser lido aqui.

Adalberto Veríssimo, pesquisador do Imazon, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, afirma que a causa mais provável do aumento considerável no desmatamento são as obras das hidrelétricas Jirau e Santo Antônio, no Rio Madeira.

O Greenpeace sobrevoou o canteiro de obras em setembro de 2010 e relatou: ” O local lembrava um imenso dominó com as peças caídas. Eram incontáveis troncos de árvores ainda no chão, uns sobre os outros. A clássica imagem do tapete de floresta margeando o rio deu lugar a uma tonalidade meio cinza, meio marrom. Era o que parecia: uma paisagem morta. Quem sobrevoa aquela região do rio Madeira entende na hora porque grandes hidrelétricas não são, como as autoridades brasileiras gostam de dizer, uma fonte de energia limpa. Ali, só se vê sujeira. E se depender dos planos do governo, essa mesma sujeira ainda vai se espalhar por muitos cantos da Amazônia. A próxima parada é no rio Xingu, onde veremos, em breve, mais um Belo Monte de árvores mortas.”

Segundo informe de 26/02/2011 da BBC , o juiz federal Ronaldo Desterro sustou a permissão de construção da hidrelétrica de Belo Monte porque o Ibama aprovou o projeto sem o cumprimento de 29 exigências de proteção ambiental. O juiz determinou também que o BNDES não está autorizado a financiar a obra.

O governo afirma que a hidrelétrica de Belo Monte é crucial para o desenvolvimento da região, criará empregos e garantirá o abastecimento de energia elétrica para 23 milhões de residências.

A represa com capacidade de geração de 11 mil megawats está projetada para ser a maior do mundo, depois de Three Gorges, na China, e Itaipu, administrada pelo Brasil e Paraguai. No entanto a controvérsia só aumenta desde que a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (CHESF) ganhou no ano passado o contrato da obra. Na síntese dos argumentos dos opositores, a represa com 6km de extensão ameaça a sobrevivência de vários grupos indígenas e deixará desabrigadas cerca de 50 mil pessoas quando sua bacia inundar uma área de 500 quilômetros quadrados.

Para entender melhor os motivos dos que se opõem à construção da hidrelétrica do Belo Monte, leia o artigo Belo Monte: 12 questões sem resposta, assinado por Dion Márcio C. Monteiro, economista do Instituto Amazônia Solidária e Sustentável (IAMAS), doutorando em Sociologia na Université Paris-Nord (França), e componente do Comitê Metropolitano do Movimento Xingu Vivo para Sempre. O artigo foi publicado na rede OutrasPalavras em 14/04/2010.

~ por costaacf em fevereiro 26, 2011.

Uma resposta to “Desmatamento na Amazônia aumentou 994% em 2010”

  1. La déforestation est criminelle, les responsable devront payer un jours pour toutes les archives naturelles vivante qui sont perdu a jamais.

    Chaque déforestation abusive a un ou des coupables, ils payerons d’une manière ou d’une autre.

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